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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Breve Histórico de Jayme Caetano Braun


Breve Histórico de Jayme Caetano Braun




Jayme Caetano Braun
-poeta e payador-
















ESCLARECIMENTO

Antes de começar uma obra, procuro sempre fazer o histórico do homenageado; aqui no caso, fiz com muita alegria, pois além de ser grande admirador de Jayme Caetano Braun, sou primo de 3ºgrau dele (quando o vivente é bom, a gente puxa parentesco até o 5º grau). Não sou e nem tenho pretensões de ser historiador. Um dos objetivos de estar divulgando esse histórico é de corrigir vários erros existentes na internet, sobre a vida do poeta. Um dos erros é de que sua mãe era uma "chirua bugra", na verdade sua mãe, D. Euclides Ramos Caetano, era filha de produtores rurais da Timbaúva(veja foto abaixo) outro é sobre o local de seu nascimento. SOLICITO àqueles que queiram usar as informações deste histórico, que não se esqueçam de citarem os créditos; neste trabalho entrevistei várias pessoas e tenho documentos e certidões de nascimento, casamento e morte, para provar o que aqui está escrito. Nesse trabalho de pesquisa, tive o auxílio da D. Gelsa Ramos de Moraes, prima-irmã do Jayme, poetisa e payadora do mais alto nível, pessoa que tinha estreita relação com o poeta. E para finalizar com chave de ouro, a revisão final deste simples histórico foi feita na data de 10 de fevereiro de 2009, pela D. Aurora(Bréa)Ramos Braun, viúva do homenageado.





Jayme Caetano Braun

Poeta, tradicionalista, declamador e payador (do castelhano, lê-se pajador: poeta que faz versos de improviso com temática muito próxima a milonga)
Símbolo maior da poesia gauchesca; especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos).
Em seus versos retratou, com conhecimento de causa, os hábitos costumes e vicissitudes do homem campeiro do sul do Brasil.
O peão de estância, o gaúcho andarilho, o índio missioneiro e muitas outras figuras regionais ganharam vida em seus poemas.
A formação dos Sete Povos das Missões, a epopéia farroupilha, foram alguns dos seus muitos temas.
Eterno filósofo galponeiro, em suas reflexões, buscou as respostas da existência na visão do homem simples.
Sua temática ia da raiz às estrelas, sendo ao mesmo tempo regional e universal; seus versos mescla de história, costumes e atualidades, exaltaram a vida do homem excluído, pobre e oprimido.
Deixou sua obra imortalizada em vários livros e discos. Sendo considerado pelo meto tradicionalista, como referência gauchesca da essência riograndense.

Biografia

Livros: - Galpão de Estância (1954)
- De Fogão em Fogão (1958)
- Potreiro de Guaxos (1965)
- Bota De Garrão (1966)
- Brasil Grande do Sul (1966)
- Paisagens Perdidas (1966)
- Vocabulário Pampeano – Pátria, Fogões e Legendas (1987)
- Payador e Troveiro (1990)
- Antologia Poética: 50 anos de poesia (1996)
- Payada Cantares(2003)(obs:Resgate do acervo de Jayme)

Discos

- Payador – pampa e guitarra de Noel Guarany (convidado especial) (1974)
- Payadas (1984)
- A volta do payador (1984)
- Troncos Missioneiros (juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça) (1987)
- Poemas Gaúchos (1993)
- Payadas (1993)
- Paisagens Perdidas (1994)
- Jayme Caetano Braun (1996)
- Acervo Gaúcho (1998)
- Êxitos 1 (1999)
- Payada, Memória & Tempo (2006)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- Payada, Memória & Tempo Vol. 2 (2008)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- A Volta do Farrapo (2008)(obs:Resgate do acervo de Jayme) 

Histórico

Nome completo: Jayme Guilherme Caetano Braun

Nome mãe: Euclides Ramos Caetano Braun

Nome pai: João Aloysio Thiesen Braun

Avós maternos: Aníbal Antônio Souza Caetano e Florinda Ramos Caetano

Avós paternos: Jacob Braun e Guilhermina Thiesen Braun

Nascido em 30 de Janeiro de 1924 às 8:30 na fazenda Santa Catarina de seu avô materno (Aníbal Caetano) na localidade da Timbaúva (Na época 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) hoje município de Bossoroca.

Irmãos: Maria Florinda, Terezinha, Judite, Zélia e Pedro Canísio. (Jayme foi o 2° filho do casal Braun)



Pais do Jayme: Sr. João Aloysio Braun e D. Euclides Ramos Caetano
 

Pais

Era filho do casal João Aloysio Thiesen Braun e Euclides Ramos Caetano. 
Seu pai era filho de imigrantes alemães, professor e diretor do colégio elementar Pinheiro Machado; respeitado nas comunidades por onde passou (foi delegado de educação nas cidades de Santa Cruz e Passo Fundo). 
Sua mãe era filha de família tradicional pecuarista, da localidade chamada Timbaúva (Antigo 3° Distrito de São Luiz Gonzaga, hoje município de Bossoroca). 
Sobre seu pai, Jayme descreve a grande admiração que sentia por ele na emocionante poesia “Oferta” (Livro: De Fogão em Fogão). 
De sua mãe, precisamente, herdou a veia poética; sua avó maternaFlorinda Ramos Caetano, irmã do poeta e coronel revolucionário Laurindo Ramos, dominava o verso de improviso e recitava seus poemas no ambiente familiar criando forte estrutura poética que Jayme veio a conviver e herdar mais tarde.

Nascimento
O casal João Aloysio e Euclides, após casarem em São Luiz no ano de 1920, passaram a residir na Avenida Senador Pinheiro Machado n° 1934 em frente à antiga Praça da Lagoa (Atual Praça Cícero Cavalheiro). 

Em Janeiro de 1924 o casal Braun, como de costume, foi passar as férias escolares na Timbaúva, na fazenda Santa Catarina de propriedade do avô materno de Jayme, Sr. Aníbal Caetano. 
Nesta feita havia motivo maior para a ida até a localidade da Timbaúva... Dona Euclides Ramos Braun, grávida, confiava muito na parteira daquela localidade: Dona Antônia.
Em 30 de janeiro de 1924 num quarto junto a sala veio ao mundo, por intermédio de Dona Antônia, o Poeta Maior: Jayme Caetano Braun. 
Permanecendo na fazenda durante todo o período de resguardo até o retorno de sua mãe para a casa em São Luiz. 
Poucos dias após seu nascimento, Jayme foi registrado no posto designado em Bossoroca (na época 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) onde consta como declarante o Senhor Anajande Ramos Ribeiro e que o casal Braun estava a passeio no Distrito. N° do registro de nascimento: n° A-6; folha n° 16, n° ordem 21; data 07/02/1924.

Infância

Cresceu o menino nas imediações da velha Praça da Lagoa. 

A missioneira São Luiz Gonzaga com sua riqueza histórica aos poucos ia sendo descoberta pelo olhar atento do pequeno poeta. 
Desde tenra idade conviveu com a vida rural nas fazendas e esse convívio (que procurou manter por toda a vida) foi armazenando na alma do payador, o riquíssimo conteúdo emotivo que serviu de espinha dorsal para suas poesias.

Adolescência

A família Braun, devido à transferência de Sr. João Aloysio, mudou-se para Cruz Alta em 1938 onde foi diretor de escola. 

Em 1939 foram para Santa Cruz do Sul, com o Senhor Braun sendo delegado de ensino. 
De 1940 até 1942, seu pai assumiu cargo de delegado de ensino em Passo Fundo. 
Retornaram para Cruz Alta, lá seu pai se aposentou e faleceu. 
Após a morte de seu pai a família passou a residir em Porto Alegre, Jayme retornou às Missões, vindo a morar na fazenda Santa Terezinha (Timbaúva) de propriedade de seu tio materno Danton Victorino Ramos, a quem considerava como seu segundo pai. 
Ficou lá até se casar.
Jayme, com seus pais e irmãos.

Casamento

Casou-se com Nilda Aquino Jardim, filha de Rivadavia Romeiro Jardim e Faustina Aquino Jardim, no dia 20 de dezembro de 1947. 

Passou a morar na fazenda Piraju de propriedade de seu sogro, permanecendo lá pouco mais de um ano, indo morar posteriormente perto dali, na Serrinha (Vila Distrito de São Luiz Gonzaga) naquela localidade possuiu um autêntico bolicho de campanha (a sua casa era nos fundos do bolicho) onde ocorriam rodadas de poesia e música até tarde da noite. 
Sobre essas tertúlias lembra Sr. Ataliba dos Santos (na época era jovem ajudante no bolicho): “O Jayme quando inspirado ficava, às vezes, olhando para um palito de fósforo entre os dedos (com som de violão sendo dedilhado ao fundo) e as payadas brotavam magicamente”. 
Permaneceu “bolicheando” por quase dois anos, depois passou a residir na cidade (São Luiz) na Rua Marechal Floriano (fundos hospital de caridade) ali nasceram seus dois filhos: Marco Antonio Jardim Braun e José Raymundo Jardim Braun.

Vida profissional e política

Após sua experiência como bolicheiro, começou em 1945 a participar de campanhas políticas (daqueles ao qual ele admirava) como payador. 

Seu poema “O Petiço de São Borja” referente a Getúlio Vargas foi publicado na época em revistas e jornais do país. 
Participou na campanha de seu tio materno Ruy Ramos com o poema “O Mouro do Alegrete”. 
Nos anos seguintes participou nas campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egídio Michaelsen. 
Na campanha de Ruy Ramos a deputado federal, apresentava um programa radiofônico na radio São Luiz; contratado pelo seu outro tio Danton Ramos, para divulgar a candidatura de Ruy. Devido ao sucesso, obtido em grande parte pelos seus versos de improviso, o programa teve continuidade. 
Em 1948 iniciou o programa, na mesma radio, chamado “Galpão de Estância” (existente até os dias atuais) juntamente com Dangremon Flores e Darci Fagundes. Deste nome veio a surgir mais tarde o 1° CTG em São Luiz Gonzaga chamado CTG Galpão de Estância.

Incentivado e apoiado por Ruy Ramos concorreu a deputado estadual pelo PTB no ano de 1959, não alcançando votação suficiente. Esta passagem política lhe trouxe mágoas que o acompanharam por muito tempo (vide poema abaixo "Bilhete a João Vargas").

Em 1959 a convite de Ruy Ramos passou a residir em Porto Alegre onde ingressou na biblioteca pública do estado, ocupando o cargo de diretor até final de 1963. 
Depois foi para o IPASE (Instituto de Pensões e aposentadoria dos Servidores do Estado) onde ficou até se aposentar.

Em 1973 participa do programa semanal Brasil Grande do Sul, na Radio Guaíba, durante 15 anos.

Os direitos autorais de seus vários livros e discos serviram como complemento de renda, pois o poeta, como muitos que trabalham com a arte, enriqueceram mais a alma do que os bolsos.

Segundo Casamento

Separou-se de sua 1° esposa Sra. Nilda Jardim em 11/07/88 divorciando-se em 26/06/95.
Casou-se com Sra. Aurora de Souza Ramos (Bréa) em 1° de setembro de 1995 na cidade de Porto Alegre. Teve um enteado: Marcelo Bianchi; da união com Aurora Ramos nasceu seu filho caçula: Cristiano Ramos Braun.


Saúde
A sua saúde foi abalada em muitas situações: quatro pontes de safena, angústias, desilusões e fortes depressões.
Várias situações no decorrer de sua emotiva existência colaboraram para o surgimento de seus problemas de saúde: com o passar do tempo conseguiu superar o pouco caso que faziam de sua obra, assim como as críticas que muitas vezes recebeu; mas no início quando nas suas primeiras poesias, foi o desestímulo (por parte de alguns) um adversário forte de ser superado.
Outro fator foi a decepção no pleito da candidatura a deputado estadual em 1959 quando sua mensagem não foi compreendida pelo seu próprio povo; sobre esse fato, ele mesmo diz na poesia feita ao seu grande amigo João Vargas do Alegrete de título Bilhete ao João Vargas do Alegrete.

Abaixo trecho dela:

“Bilhete ao João Vargas"
...Fiz o que o gaúcho faz,
Sem admitir pretexto
E fui – como gato a cabresto,
“Só nas patinhas de trás”,
Tu sabes – na santa paz
Que o gaúcho não morreu,
Mas na terra onde nasceu
-Até periga a verdade,
Quando eu gritei: Liberdade!
Só o eco me respondeu... ”


E por fim, talvez o que mais tenha despedaçado o coração do poeta tenha sido a dor pela perda de seu filho primogênito, Marco Antonio aos 30 e poucos anos de idade por abalos no sistema nervoso. 


Morte
Faleceu no dia 8 de julho de 1999 às 5 horas e 30 minutos, aos 75 anos de idade, na clínica São José em Porto Alegre, vítima de complicações cardiovasculares. O corpo foi velado às 17 horas no Salão Nobre Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho; foi enterrado no cemitério João XXIII em Porto Alegre. 

Curiosidades
(algumas, retiradas dos jornais que prestaram homenagens no dia de sua morte)

- Seus primeiros poemas foram publicados em 1943, no jornal A Notícia de São Luiz Gonzaga, assim como seu 1° Livro Galpão de Estância, em 1954.
- Seus ídolos na poesia foram: Laurindo Ramos (tio avô); Balbuino Marques da Rocha; João Vargas do Alegrete; Juca Ruivo e os insuperáveis Athaualpa Yupanki e José Hernandez (Martin Fierro).
- Foi um dos fundadores do CTG Galpão de Estância de São Luiz Gonzaga.
- Foi um dos fundadores do conselho coordenador do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), sendo presidente em 1959.
- Foi um dos fundadores da Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniram no final dos anos 50.
- Considerado, juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça um dos “Troncos Missioneiros” fundadores do estilo musical chamado: Missioneiro; marca registrada da região das missões e do Rio Grande do Sul.
- Na infância, juventude e também na maturidade (sempre que possível) passava suas férias nas fazendas de seu avô Aníbal Caetano ou de seu tio Danton Ramos.
- Sonhava fazer medicina, sem terminar o ensino médio, tornou-se um especialista em remédios caseiros. Dizia que todo missioneiro tinha a obrigação de ser um curandeiro.
- Para alguns era considerado um artista polêmico, genioso, pois era radical ao defender seu ponto de vista. Dizia o que tinha que dizer; gostassem ou não.
- Certa feita ao ser comparado a um corvo, devido a seu gosto por roupas escuras, respondeu: “O corvo é uma ave higiênica, que limpa todos os campos”.
- Seu ultimo CD: Êxitos 1 (lançado dias após sua morte) estava pronto com mais de ano de antecedência; o lançamento havia sido adiado (a seu pedido) pois queria estar em melhores condições de saúde.
- Dentre seus companheiros e parceiros musicais destacam-se: Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça, Lucio Yanel, Glênio Fagundes, Chaloy Jara e Gilberto Monteiro.
- Recebeu ao longo de sua carreira inúmera premiação e homenagens: destaque especial no prêmio Açoriano de Música (1997), troféu Simões Lopes Neto, maior honraria concedida pelo Governador do estado (1997), Troféu Laçador de Ouro (1997).
- Foi instituído em sua homenagem, na data de seu aniversário, 30 de Janeiro, o “Dia do Payador” com lei estadual de N° 11.676/01 de autoria do Deputado estadual João Luiz Vargas.
- Os Dois Lenços: devido à grande admiração por seu tio avô Laurindo Ramos, poeta e Coronel chimango da revolução de 1923 e 1924 e por influencia de seu tio Ruy Ramos, começou a usar o lenço branco, sendo apelidado desde moço de “chimango”. Muito mais tarde, na sua maturidade, ao morar em Porto Alegre, capital política dos gaúchos, passou a usar o lenço colorado.
-Era torcedor gremista, mas nem por isso deixou de assistir com amigos colorados a um GreNal na torcida do Internacional, como contou-me o seu primo-irmão Sr. Juca Ramos. Naquela feita, ao ser quase denunciado ao comemorar um gol do Grêmio, disfarçou e criativamente disse: “Dá-lhe seus frescos, nós estamos jogando mal, mas vamos virar essa porcaria...” (como se fosse um fanático torcedor colorado). O que motivou risadas entre os amigos que sabiam da verdade.
-Outra que me contou o Sr. Juca Ramos é a de quando Jayme era diretor da biblioteca pública, recebia seguidamente a visita dele, que na época era estudante e ia lá fazer pesquisas, em certas vezes Jayme reunia Sr. Juca e outros estudantes e encaminhava todos para sua sala para “estudar” a Divina Comédia de Dante Alighieri, ao cruzar pela secretária, uma idosa senhora, ele pedia para não ser importunado, pois precisava ensinar muitas coisas importantes à aqueles estudantes, o que causava certa admiração na senhora, mal sabia ela que eles iam jogar truco....

Finalizando

Foi sempre a emoção que norteou o poeta.
A inspiração (cerne da sua poesia) saía abrindo caminhos, na frente da informação e da rima.
Esse era o grande diferencial de Jayme Caetano Braun: 
“O POETA ERA TODO INSPIRAÇÃO!”


Pesquisa
Vinícius Ribeiro 2° Semestre 2005.
Colaboração
Senhora Gelsa Ramos de Moraes
Revisão final:
Aurora Ramos Braun(feita em 10 de fevereiro de 2009)
Fontes
-Entrevistados: Sr. Ataliba dos Santos e Sr. Juca Ramos.
– Cartório de registro civil de São Luiz Gonzaga
– Cartório de registro civil de Bossoroca
- Jornal Zero Hora (Porto Alegre)
- Jornal A Notícia (São Luiz Gonzaga)
- Outros





3 comentários:

nativismo disse...
Parabéns.
Até que enfim encontro um histórico sério sobre o Pajador Jayme Caetano Braun.
Normalmente é um copiando do outro e os erros vão se muiltiplicando, mas aqui, não. Há uma pesquisa documental.
Sucesso
Paulo de Freitas Mendonça
Daniel disse...
Tchê, Vinicius,

Que belo documentário, rico em detalhes nas informações.
Parabéns!!!

Forte abraço,
Daniel Kara
Thais Silveira disse...
Olha, muita mas muito obrigada mesmo, isso me ajudou mto para fazer o meu trabalho de hisstoria do colegio sobre o Jayme Caetano Braun ! AGRADECIDA :)

JAIME CAETANO O PAJADOR

Jaime Guilherme Caetano Braun[1] (Timbaúva30 de janeiro de 1924 — Porto Alegre8 de julho de 1999) foi um renomado payador e poeta do Rio Grande do Sul, prestigiado também na ArgentinaUruguaiParaguaiBolívia. Era conhecido como El Payador e por vezes utilizou os pseudônimos de PirajMartín Fierro,Chimango e Andarengo.

[editar]Biografia

Payadorpoeta e radialista, Jayme Caetano Braun nasceu na Timbaúva (hoje Bossoroca), na época distrito deSão Luiz Gonzaga, na Região das Missões no Rio Grande do Sul.
Durante sua carreira fez diversas payadaspoemas e canções, sempre ressaltando o Rio Grande do Sul, a vida campeira, os modos gaúchos e a natureza local.
Jayme sonhava em ser médico mas, tendo apenas o Ensino Médio, se tornou um autodidata principalmente nos assuntos da cultura sulina e remédios caseiros, pois afirmava que "todo missioneiro tem a obrigação de ser um curador".
Aos 16 anos mudou-se para Passo Fundo, onde viveria até os 19 anos. Na capital do Planalto Médio, Jayme completou seus estudos no Colégio Marista Conceição e serviu ao Exercito Brasileiro.
Jayme foi membro e co-fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniu no final dos anos 50, na capital gaúcha.
Trabalhou, publicando poemas, em jornais como O Interior e A noticia (de São Luiz Gonzaga). Passa dirigir em 1948 o programaradiofônico Galpão de Estância, em São Luiz Gonzaga e em 1973 passa a participar do programa semanal Brasil Grande do Sul, naRádio Guaíba. Na capital, o primeiro jornal a publicar seus poemas foi o A Hora, que dedicava toda semana uma página em cores aos poemas de Jayme.
Como funcionário público trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado e ainda foi diretor da Biblioteca Pública do Estado de 1959 a 1963, aposentando-se em 1969. Na farmácia do IPASE era reconhecido pelo grande conhecimento que tinha dos remédios.
Marcelo (e), enteado de Jayme, ao lado do idealizador do Memorial em sua homenagem emPasso Fundo.
Em 1945 começa a atuar na política, participando em palanques de comício comopayador. O poema O Petiço de São Borja, publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participa das campanhas de Ruy Ramos, com o poema O Mouro do Alegrete, como era conhecido o político e parente de Jayme. Foi Ruy Ramos, também ligado ao tradicionalismo, que lançou Jayme Caetano Braun como payador, no 1º Congresso de Tradicionalismo do Rio Grande do Sul, realizado em Santa Maria no ano de 1954.
Casou duas vezes, em 1947 com Nilda Jardim ,e em 1988 com Aurora de Souza Ramos. Teve três filhos, Marco Antônio e José Raimundo do primeiro casamento, e Cristiano do segundo.
Anos mais tarde participaria das campanhas de Leonel BrizolaJoão Goulart e Egidio Michaelsen e em 1962 concorreria a uma vaga na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul pelo PTB, ficando como suplente.[2]
Veio a falecer de parada cardíaca em 8 de julho de 1999, por volta das 6h, em Porto Alegre. Seu corpo foi velado no Palácio Piratini, sede do governo sul-riograndense, e enterrado no cemitério João XXIII, na capital do estado. Para o dia seguinte estava programado o lançamento de seu último disco Exitos 1.

[editar]Obra

Antes de escrever qualquer coisa sobre este icone do tradicionalismo gaúcho é importante grifar a importancia da influencia do poeta gaúcho que nasceu em Uruguaiana e que fincou raizes na região Sudoeste do Paraná, José Francisco dos Santos Silveira, o qual foi responsavel por incentivar o payador na produção de sua obra (SILVA, 1998, p. 13). Lançou diversos livros de poesias, como Galpão de Estância (1954), De fogão em fogão (1958), Potreiro de Guaxos (1965), Bota de Garrão (1966), Brasil Grande do Sul (1966), Passagens Perdidas (1966) e Pendão Farrapo (1978), alusivo à Revolução Farroupilha. Em 1990 lança Payador e Troveiro, e seis anos depois a antologia poética 50 Anos de Poesia, sua ultima obra escrita.
Publicou ainda um dicionário de regionalismos, Vocabulário Pampeano - Pátria, Fogões e Legendas, lançado em 1987.
Jaime também gravou CDs e discos, como Payador, Pampa, Guitarra, antológica obra em parceria com Noel Guarany. Sua ultima obra lançada em vida foi o disco Poemas Gaúchos, com sucessos como Payada da SaudadePiazedoRemorsos de CastradorCemitério de Campanha e Galo de Rinha.
Gravou, ainda, com Lúcio YanelCenair Maicá e Luiz Marenco.
Entre seus poemas mais declamados pelos poetas regionalistas do país inteiro, destacam-se BochinchoTio AnastácioAmargo,Paraíso PerdidoPayada a Mário Quintana e Galo de Rinha.
Seu nome batiza ruas, praças e principalmente CTGs no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil. É considerado o patrono do Movimento Pajadoril no Brasil.

[editar]Tributos

Monumento a Jayme Caetano Braun em São Luiz Gon




UMA FOTO HISTORICA


Pedro Ortaça, Reduzino Malaquias e Reinaldo Malaquias. Ao fundo o rancho do Cenair Maicá em São Miguel das Missões. 1976.
Pedro Ortaça, Reduzino Malaquias e Reinaldo Malaquias. Ao fundo o rancho do Cenair Maicá em São Miguel das Missões. 1976.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

COMO USAR CORRETAMENTE O FREIO-BRIDÃO

 COMO USAR CORRETAMENTE O FREIO-BRIDÃO

*Lúcio Sérgio de Andrade

Como o próprio nome sugere, o freio-bridão é uma embocadura de transição, entre o bridão e o freio convencional. O modo de usar é mais complexo em relação ao do bridão. Enquanto o bridão é embocadura de apenas um efeito principal, atraves da pressão do bocal nas comissuras labiais, o freio-bridão é embocadura de dois efeitos principais, pois além do comando das rédeas acionar o bocal pressionando as comissuras labiais, também pressiona a barbela no queixo.
O bocal é articulado, atuando como um bridão, em ação uni ou bilateral, pressionando as comissuras labiais. Ao contrário do bridão, o bocal não é fixado em olhais, de forma redonda ou em D. O bocal é fixado em hastes, como no freio convencional. As hastes exercem o efeito alavanca. Mas o efeito alavanca não atua sobre o palato, porque o bocal não é fixo e de curvatura, como no freio convencional. A cada comando de rédeas as hastes atuam como duas alavancas pressionando a barbela no queixo. Para que haja a pressão correta, tanto do bocal nas comissuras labiais, como da barbela no queixo, é necessário o ajuste correto da barbela, tendo como referência a folga de um dedo entre a corrente e o queixo. Se a corrente é apertada, rente ao queixo, a pressão será muito forte, ao ponto de causar ferimento, além de defeitos na postura da cabeça. Se a corrente é muito folgada, a pressão será muito forte nas comissuras labiais e minima, ou nula, no queixo.  

Postura correta da cabeça, com o focinho apontado ao solo, a nuca corretamente flexionada. O freio-bridão é uma boa embocadura para desenvolver a postura correta da cabeça.
O grau de severidade da ação do freio-bridão dependerá da espessura do bocal, do comprimento das hastes, da espessura e abertura dos elos da corrente da barbela.
Freio-bridão de ação branda – bocal de espessura em torno de 2,0cm; hastes curtas e inclinadas; corrente de elos grossos e grandes, de diâmetro acima entre 1,5 a 2,0cm.
Freio-bridão de ação moderada – bocal de espessura em torno de 1,5cm; hastes retas, de comprimento em torno de 3,0cm; elos grandes, de diâmetro entre 1,0 a 1,5cm.
Freio-bridão de ação severa – bocal de espessura em torno de 1,0cm; hastes retas, de comprimento acima de 3,0cm; elos finos e pequenos, de diâmetro em torno de 1/2cm.
O processo do moderno adestramento do cavalo de marcha é gradual e progressivo, na seguinte sequência: doma de chão (charreteamento) com o hackamore; doma de cima (primeiras montadas com o hackamore); transição para o bridão, emu so combinado com o hackamore; transição o freio-bridão, emu so combinado com o hackamore; transição para o freio convencional de estágio 1, transição para o freio convencional estágio 2. Caso o cavalo também for utilizado em provas funcionais o correto é fazer uma terceira e ultima transição de embocaduras, para o freio convencional estágio 3.
A ação do freio-bridão, de efeitos principais duplos, favorece o flexionamento da nuca, ao contrário do bridão, que tem ação elevatória da cabeça, não sendo embocadura indicada para ceder a musculatura da nuca. Todavia, em mãos brutas, ou inexperientes, o freio-bridão pode desenvolver defeitos de postura da cabeça, tanto de cabeça muito elevada e ponteira, como de cabeça “encapotada”. Assim, o excesso de pressão da barbela no queixo tanto pode “encapotar”, como também manter a cabeça muito elevada, não corrigindo em nada a ação elevatória do bridão.
O cavaleiro deve segurar as duas redeas, e não uma em cada mão, como no caso do fridão, pois a ação do freio-bridão é mais do tipo indireta do que direta. O cavalo deve virar para ambos os lados com o queixo travado na barbela. Quanto mais flexionado na nuca e pescoço, mais suaves serão os comandos de rédeas nas viradas.
O freio-bridão não deve ser confundido com o uso simultaneo do freio e do bridão em cavalos de Adestramento Clássico, que são equitados com quatro rédeas. Estes cavalos exigem um grau maior de reunião, sendo que o freio controla os deslocamentos mais refinados, e o bridão controla os deslocamentos de maior amplitude de passadas.
Assim como no caso do bridão, o uso muito prolongado do freio-bridão em cavalos treinados para concursos de marcha pode desenvolver o desagradavel defeito do excesso de apoio na embocadura, prejudicando o conforto da equitação, pois as rédeas são seguras com muita força, alem da dificuldade em refinar os comandos.

Freio-bridão LSA, derivado do modelo conhecido como “Espanhol”, sendo um dos melhores para uso em cavalos marchadores.
Um dos melhores modelos de freio-bridão é mostrado na foto, sendo popularmente denominado de freio-bridão espanhol. O modelo mostrado foi adaptado pelo autor, tendo como referência o modelo original do tipo espanhol. A haste tem quatro niveis de regulagens, de acordo com a força do efeito alavanca. O bocal tem espessura de 1,5cm, para ser de ação moderada. As variáveis serão as mudanças dos pontos de fixação das biqueiras das rédeas na haste. Considerando treinamento diário, a seguinte sequência é orientada, tendo como meta desenvolver a postura correta da cabeça:
Primeira semana - As biqueiras das redeas devem ser fixadas no gancho nivelado com o bocal. Neste ponto o efeito alavanca será nulo, como se o animal estivesse comandado com um bridão;
Segunda semana - As biqueiras das rédeas devem ser fixadas no segundo gancho;
Terceira semana – As biqueiras das rédeas devem ser fixadas no terceiro gancho.
Quarta semana – As biqueiras das rédeas devem ser fixadas na argola da extremidade da haste.
Este procedimento é imprescindivel para um aumento gradual, progressivo, da pressão do efeito alavanca na barbela, e esta no queixo, tendo como resultado o desenvolvimento gradual da flexão da nuca. Ao final de um mes, desde que corretamente equitado, o cavalo cederá a nuca, e poderá ser montado por algum tempo a mais no freio-bridão, em torno de um mes, ou até mais, para consolidar a postura correta da cabeça.
Em seguida o treinador deve fazer a transição para o freio convencional estágio, para dar acabamento ao adestramento e treinamento para Concursos de Marcha, passeios, cavalgadas e, posteriormente, se for o caso, à prática de provas funcionais, porém com freio estágio 2 ou 3, para um melhor controle do animal em movimentos mais radicais.
A foto em seguida mostra o modelo padrão de freio-bridão, que é de uso mais simples em relação ao freio-bridão da foto anterior, pois o ajuste do efeito alavanca pode ser único ou, no máximo, duplo, sendo as biqueiras das rédeas colocadas nas duas argolas inferiores das hastes. Em caso de necessidade do aumento da pressão sobre a nuca uma biqueira auxiliar pode ser fixada na extremidade da haste superior, formando um V.

Freio-bridão padrão, com ajuste único ou duplo das biqueiras das rédeas
O importante é entender o o modo de ação do freio-bridão como uma embocadura de transição, entre o bridão e o freio convencional.
*Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, árbitro de equideos marchadores, Pedidos de livros impressos, livros digitais em CD, DVD’s, CURSOS ONLINE, equipamento para doma e treinamento de cavalos marchadores, através do sitewww.equicenterpublicacoes.com.br


FREIO PARA SEU CAVALO


Dica Referencial - Freio para seu Cavalo

Freio para seu CavaloMuito cavaleiros tem dificuldade em sentir se o freio usado é o equipamento ideal para seu cavalo,a melhor maneira para descobrir é durante o trabalho, observando algumas reações que indicam se o cavalo está confortável com o equipamento.

Um cavalo que reage positivamente ao freio não oferece resistência à ação dele, submetendo-se as pressões sem qualquer tipo de reação,ou seja, toda vez que é submetido a pressões gerando flexionamento de nuca ou pescoço, ou mesmo quando o freio é acionado para qualquer outro comando, o cavalo responde com suavidade.

Todos movimentos realizados contra a pressão do freio, isto é, quando o cavalo balança a cabeça ou abre excessivamente a boca, são indicios de má adaptação ao uso do freio.Normalmente a solução mais usada seria diminuir a ação do freio trocando o mesmo por um embocadura mais branda. É preciso também verificar se a barbela não está muito apertada, o ideal é que caibam 2 dedos entre a barbela e o queixo do cavalo.

A boca do cavalo não deve receber toda a pressão da equitação, pois está deve ser distribuida em outros pontos de sensibilidade do cavalo como costela  e lombo. O contato das pernas com a costela e a postura do cavaleiro na sela, através da posição do corpo são pontos fundamentais para que o cavalo não sinta uma sobrecarga na ação do freio.

Acidentes como corte na lingua, ferimentos nas barras ou no queixo do cavalo, atrapalham e muito a sensibilidade do cavalo. Assim, procure desenvolver o seu trabalho respeitando a sensibilidade que o cavalo tem na boca, cortes e ferimentos são sempre negativos para o progresso de cavalo. Normalmente os acidentes na boca do cavalo são provocado por situações em que o cavaleiro excede a força aplicada ao freio. 

É preciso lembrar que todo ferimento ocorrido na boca do cavalo é causado pela mão do cavaleiro e não pelo freio, portanto é necessario que o cavaleiro saiba de suas limitações, adaptando um freio adequado a sua sensibilidade, quanto mais força na mão mais brando deve ser o freio, o mais importante do que o equipamento é a peça que está atrás das rédeas, ou seja , o próprio cavaleiro, este tem um papel decisivo no progresso do treinamento de um cavalo, devendo sempre aprimorar sua sensibilidade e equitação.



Fonte: Referencial Centro Equestre

O USO CORRETO DO FREIO – A EMBOCADURA PROFISSIONAL


O USO CORRETO DO FREIO – A EMBOCADURA PROFISSIONAL

                                                 *Lúcio Sérgio de Andrade
O freio é a embocadura profissional, aquela que realmente tem condições de ajudar o treinador a explorar ao máximo o potencial do cavalo funcional. O mecanismo de ação do freio é complexo, pois envolve efeitos múltiplos: o bocal pressiona as barras, as comissuras labiais e a lingua; a ponte , ou passador de língua ( curva do bocal ) atua diretamente no palato; a barbela atua no queixo. Esse complexo mecanismo de ação, com base na pressão sobre multiplos pontos de controle da boca, é acionado por outro efeito, conhecido como efeito alavanca, derivado da movimentação das hastes pelos comandos de rédeas. Quanto mais longas e menos inclinadas as hastes, maior tende a ser a pressão. Mas o segredo do uso correto do freio é sutil, pois está no ajuste da barbela. Deve ser ajustada com a folga da largura do dedo indicador. Assim, quando as rédeas são acionadas, o bocal encosta no palato simultaneamente à pressão da barbela no queixo, travando o bocal. Se a barbela estiver muito apertada, o primeiro e principal efeito será o da pressão da barbela, causando grande desconforto. Ao contrário, se a barbela estiver muito folgada, o bocal “risca” o palato, causando desconforto e até mesmo ferimento. Em ambas as situações o cavalo mostrará atitudes relacionadas à postura de cabeça que indicam tentativa de fuga ao desconforto.

Figura – partes constituintes do freio

Saber escolher um freio é uma ciência, quanto ao conhecimento das partes do equipamento e da morfologia das partes constituintes da boca. O modo de ação das partes componentes do freio é variável. Por exemplo, o bocal pode ser brando, as hastes severas e vice-versa; o bocal pode ser brando na espessuara e moderado na altura; as hastes podem ser severas no comprimento, mas moderadas na inclinação, dentre outros exemplos de interação. O modo de ação do freio é mais complexo do que o bridão, porque atua sobre dois outros pontos de controle, o palato e o queixo. Em adição, a ação do freio sobre a nuca é bem mais eficaz. Se o bridão exerce ação elevatória da cabeça, o freio atua ao contrário.
Assim como o bridão, o freio também pode apresentar diferentes graus de severidade em sua ação: branda, moderada, severa. Sem considerar as possíveis ações integradas entre as partes, temos as seguintes referencias de medidas:
Comprimento da haste inferior -  sendo até duas vezes o comprimento da haste superior o efeito alavanca varia do brando a moderado. Ao contrário, quando exceder a duas vezes o comprimento da haste superior, o efeito alavanca será de moderado a severo, dependendo do grau de inclinação.
Inclinação da haste inferior – Angulo de 90 graus é o grau menor possivel, indicando efeito alavanca suave. Angulo de 180 graus ( haste reta ) é o grau máximo possível, indicando efeito alavanca forte. Angulo intermediário indica efeito alavanca moderado.
Articulação da haste – Quando fixa no bocal o freio é mais severo. Quando articulada, rotaciona no bocal, antes do inicio da pressão. A força que chega nos pontos de controle será menor.
Altura da ponte, ou passador de língua ( curva do bocal ) - abaixo de 2,0cm – ação branda; de 2,0 a 3,5cm, ação moderada; acima de 3,5cm, ação severa.
Formato do bocal – Mais fechado ( em forma V ), tende a ser mais severo do que mais aberto ( em forma de U ). Em meia-lua, é o mais brando. Interessante ressaltar que tanto a altura quanto o formato da curvatura do bocal dependem da altura e área do palato. Em muitos casos, um freio de bocal baixo pode não estar atuando sobre um palato muito alto. Em outros casos, um freio de bocal com altura mediana pode estar exercendo pressão extrema, por ser o palato muito baixo e estreito. Assim, recomenda-se uma avaliação do palato antes da escolha do freio.
Espessura do bocal – até 1,0cm, ação severa; entre 1,0 a 1,5cm, ação moderada; acima de 1,5cm ação branda
Espessura da barbela – quando mais fina a barbela, mais severa será a sua ação.
Barbelas fixas ou soltas – No primeiro caso, as duas hastes estão unidas. O freio será mais severo, pois o efeito alavanca exerce um tranco na região mandibular, além da pressão nos pontos multiplos de contole.

Fotos – Modelos de freios colombianos utilizados em cavalos marchadores da raça Paso Fino nos Estados Unidos. Notar que são mais severos em relação aos modelos utilizados para cavalos marchadores brasileiros. A explicação é que para determinados andamentos marchados é necessário um grau acentuado de reunião.


Os sinais de resistência contra a ação do freio são vários:
- Cabeça demasiadamente elevada: Esta postura inadequada também pode ser causada pelo direcionamento convexilineo da região inferior do pescoço, o que geralmente também está associado à má inserção ao tronco. O cavalo trabalha adiante da embocadura. Há tendência à elevação excessiva dos membros anteriores.
- Cavalo “ponteiro”, quando lança o focinho adiante: É uma postura que também pode ser provocada pela má flexão da nuca. O cavalo também trabalha adiante da embocadura. As paradas, recuo e transições são dificultadas;
- Cabeça demasiadamente baixa, focinho próximo ao tórax: É o ato de “encapotar. O cavalo trabalha atrás da embocadura, dificultando a mobilidade das espáduas, braços e antebraços. Há excesso de peso sobre os membros anteriores e leveza ao extremo para os membros posteriores, impossibilitados de engajarem-se sob a massa corpórea na produção mais eficiente da força de impulsão.
- Pendular a cabeça: Também pode ser indicativo de cavalo inquieto.
- Falta de alinhamento da cabeça e pescoço: É o chamado cavalo que “torce pescoço” pode ser reação à embocadura, deficiencia de flexão lateral do pescoço, ou lesão na musculatura do pescoço ( “pescoço flácido” ).
- Boca hiper ativa, abrindo e fechando ou mastigando continuamente o bocal. Esse é um dos problemas usuais. A causa pode ser excesso de pressão sobre areas feridas ou de grande sensibilidade, como é o caso da lingua, nao permitindo que o cavalo engula. A solução corriqueira é usar um fechador de boca, o que não está correto. Recomenda-se a transição para uma embocadura menos severa e mais adequada à condição da boca, ou até mesmo o uso temporário de um hackamore.
De acordo com experiências práticas dos mais renomados fabricandes de freios dos Estados Unidos ( MYLER ), a boca é uma região sub-avaliada, talvez porque suas partes não estejam a vista. Cada parte de contato com o freio deve ser previamente avaliada. Por exemplo, se a lingua é larga requer freio de bocal de curvatura larga. Se a lingua é grossa, requer um freio, e não um bridão. Se a lingua está ferida o melhor é usar um freio de bocal alto. O bocal deve encaixar adequadamente no palato. Assim, um freio de bocal alto não necessariamente será severo. Mas quanto mais alto mais próximo da segunda vertebra cervical, que forma a delicada região da nuca, que precisa de flexão e relaxamento a fim de favorecer o posicionamento correto da cabeça ( angulo de 90 graus em relação ao solo )  e a ação eficaz da embocadura.
Somente um cavalo plena e corretamente adestrado é capaz de manter a postura correta da cabeça. Estará preparado para externar o máximo do potencial atlético, especialmente se física e mentalmente integrado com o cavaleiro – flexionado no conjunto de frente, tronco e membros, equilibrado nos deslocamentos e enérgico sempre que solicitado.
Em tudo o que se faz com o cavalo o importante é respeitar a natureza e a individualidade, preservando a integração homem/cavalo. Se há qualquer indicativo de resistência, a causa deve ser identificada e sanada. O cavalo está mentalmente preparado para o trabalho? Amanheceu em um bom dia? Lembre-se que apesar de não apresentarem a instabilidade de comportamento dos seres humanos, por serem criaturas de hábitos definidos, os cavalos também são seres sensíveis. E o arreamento, está correto, ou algo incomoda? A embocadura está bem ajustada e bem adaptada à boca? Os comandos principais de equitação estão corretos? E os comandos auxiliares, estão sendo aplicados adequadamente? Se a resistência á embocadura persistir, não continue o trabalho, sob pena de prejudicar o desempenho e até mesmo do desenvolvimento de vícios crônicos.
A boca, a mente e a constituição óssea muscular. Esse é o trinômio de maior interesse para treinadores de cavalos. A boca, porque deve estar sempre preparada para receber, sem desconforto, a pressão da primeira embocadura, o bridão e, na sequencia, as transições para diferentes modelos de freios, de acordo com as necessidades. A mente, porque nenhum treinador terá sucesso se o cavalo não se apresentar mentalmente condicionado para executar as atividades requeridas. Em adição, cada sinal dos sentidos naturais do cavalo e de reações emotivas, devem ser entendidos pelo treinador. A constituição óssea-muscular deve ser previamente avaliada e cuidada, a fim de que que o cavalo possa atingir o máximo de seu potencial atlético sem danos à integridade física-clinica.
Contudo, não há freio severo em mãos de apurada sensibilidade, comandando cavalos adequadamente adestrados. As rédeas apenas reforçam e controlam os movimentos derivados dos outros dois comandos principais da equitação, as variações na pressão de pernas e assento.
Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, com especialização na Texas A&M University - USA, escritor, pesquisador, consultor de haras, instrutor de cursos de aperfeiçoamento técnico.

Cabeçadas e Embocaduras


Cabeçadas e Embocaduras

As cabeçadas são feitas de tiras de coro que são colocadas na cabeça do cavalo e servem para segurar a embocadura – ferro usado na boca dos cavalos – de onde saem as rédeas. As embocaduras podem ser dos cinco tipos seguintes:

                       





Bridão(snaffle)
Tem vários tipos de fins, mas são mais usadas nos desportos hípicos. É leve e articulada no centro, pressionando os cantos da boca;

Bridão de Roller (Snaffle de Roletes), que impede que o cavalo "tome o freio dos dentes"



Freio(bit)
 É utilizado em cavalos de boca mais dura, pois é mais forte e possui hastes laterais com comprimento variável, fazendo mais pressão quanto maior for as hastes, formando uma alavanca mais forte com a barbela; obriga a montaria a baixar a cabeça pois actua sobre o palatino;
Freio dito Hunloko ou globo-chook, é usado com rédias simples



Pelham
Reúne as funções do freio e do bridão; é utilizada com quatro rédeas actuando as duas inferiores como freio e as duas superiores como bridão, formando com a barbela uma alavanca;

Tipo de Pelham que tem um bocado macio, de vulcanite (ebonite), usa-se com quatro rédias e barbela.



Dupla Embocadura
 Usa-se simultaneamente com o bridão e com o freio e com quatro rédeas. É utilizado principalmente no adestramento;


Bridão, (Snaffle) do tipo Magenis, com roletes no bocado para maior controle.



Hack More
 Actua fora da boca do cavalo fazendo pressão no nariz; é de metal e forma uma alavanca ligada a barbela. O controlo do cavalo deve ser equilibrado sem movimentos bruscos, pois é um sistema potencialmente severo. É usado principalmente no Oeste American
 
Bridão com barras faciais fixam a posição do bocado na boca do animal; as "chaves" encorajam o cavalo a insalivar.